Entrevista com KL Jay


Em tempos de música digital e downloads ao alcance de um clique, os LPs sacodem a poeira e dão a volta por cima conquistando novos fãs e batendo recordes de vendas.

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Quando o refrão de “Você mentiu” invadiu as pistas, lá na década de 80, Kleber Simões (KL Jay> teve um estalo. Em cima da música de Tim Maia, um disc-jockey nova-iorquino improvisava scratches que mexeram com os instintos dele.
“Quando vi o Easy Lee fazendo aqui com um som brasileiro, percebi pela primeira vez que era possível “riscar” em qualquer estilo”, conta Simões, 43 ano. O scratching consiste em empurrar um disco de vinil para a frente e para a trás enquanto se altera o volume na na mesa de mixagem, provocando a repetição de um determinado trecho da faixa. “Aquele ‘mentiu, tiu, tiu’ me enfeitiçou, fiquei louco!”, ele lembra.

Nas prateleiras de seu apartamento, no edifício Copan, em São Paulo, Kleber calcula guardar cerca de 6 mil LPs.
Pode colocar aí “,pede,” é 60% hip-hop e R&B, e o restante se divide entre funk, Soul, Jazz e música brasileira.”
Kleber Simões é mais conhecido como KL Jay, maestro os pickups do grupo de rap Racionais MC’s há mais de 20 anos, que, assim como muitos outros DJs, engrossa o coro dos admiradores dos discos de vinil e torce pela sobrevivência do formato. Ao que tudo indica, KL Jay pode ficar tranquilo.

Em 2012, segundo o relatório anual da indústria da música divulgado pela The Nielsen Company, as vendas de LPs nos Estados Unidos chegaram a 4,6 milhões de unidades, representando um crescimento de 19% em relação a 2011. E os dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) revelados em abril deste ano, referentes a 2012, apontaram que o comércio de vinil, no mundo todo, atingiu o seu pico desde 1997, movimentando US$177 milhões. No Brasil, por conta da concorrência com o CD, lançado no país em 1986, a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) deixou de registrar a vendagem de long-plays. Isso desde 1997. Em 1996, último ano com registro, o formato vendeu pouco mais de 1,5 milhão de unidades enquanto os CDs já beiravam os 100 milhões.
Apesar da falta de dados oficiais atualizados por aqui, basta sair às ruas ou navegar pela internet para perceber a retomada do vinil. Livrarias como a Saraiva e a Cultura oferecem discos em seus catálogos; lojas como Casas Bahia vendem LPs de artistas nacionais; uma feira de discos em São Paulo e duas no Rio reúnem cada vez mais gente interessada no tema; a única fábrica de vinil da América Latina foi reativada; novas lojas físicas e on-line são inauguradas; os sebos investem no acervo e atraem uma nova clientela; e artistas alternativos e consagrados lançam seus trabalhos também em LP. Mais: comprar um toca-discos novo ou recauchutar um usado deixou de ser tarefa difícil com sites e lojas oferecendo modelos e acessórios para todos os bolsos.

Trecho da matéria “É do Vinil-Il-Il!” extraída da revista GOL edição 137 – agosto/2013.
Autor: Gabriel Vituri
Fotos: Renato Parada

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